Dia Mundial da Alimentação, hora de rever conceitos

16 de outubro de 2019



Hoje é o Dia Mundial da Alimentação.

Eis uma data cada vez mais importante, afinal, números fechados em 2018 apontam que 821 milhões de pessoas passam fome no mundo.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os seres humanos têm direito à alimentação.

Foto: Wilhan José Gomes/Pixabay

Origem da data
A data foi criada para assinalar a fundação da “Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação” (FAO-Food and Agriculture Organization). Seu principal objetivo é elevar os níveis de nutrição mundiais, alertando sobre a importância da alimentação saudável, acessível e de qualidade.

Estabelecido pela ONU em 1979, o Dia Mundial da Alimentação ocorre desde 1981 em mais de 150 países no mundo

Uma forma eficaz de de enfrentar o desafio da erradicação da fome é a adoção de uma dieta mais vegetariana. Além de benefícios para a saúde humana, essa mudança de paradigma contribuiria para reduzir os danos ao meio ambiente causados, por exemplo, pela indústria da carne, particularmente a bovina.

Foto: Congerdesign/Pixabay

Segundo a ONG Greenpeace, no Brasil a pecuária está diretamente ligada à destruição de biomas essenciais, como a Amazônia, com 4,1 milhões de quilômetros quadrados de floresta (49% do território nacional). Por lá, os 70 milhões de hectares para criação de gado representam 60% do terreno já desmatado. A maior parte dos bois é criada de maneira extensiva.

Pastos extensos para a pecuária (Foto: SIpa/Pixabay)

“As pastagens são formadas sobre antigas áreas de vegetação nativa, o que significa tornar um local que comportava uma grande biodiversidade em um terreno de capim, soja ou milho, habitado por uma única espécie”, explicou o biólogo Sérgio Greif, especialista em gestão ambiental, em reportagem publicada recentemente pela revista Cláudia. “A transformação de florestas em pasto altera o ciclo dos nutrientes, evitando que o esterco seja incorporado ao solo, o que faz ele virar poluição.”

Plantação de batatas (Foto: PublicDomainPictures/Pixabay )

Segundo dados do Greenpeace, os gases emitidos por bovinos representam 62% do efeito estufa no Brasil. “Menos floresta implica em menos chuva, menos produção de alimentos e menos rios saudáveis”, comenta Adriana Charoux, integrante do Greenpeace à frente do projeto Desmatamento Zero, sobre o esgotamento dos recursos naturais. Como desmatamento, “a cada ano, entre 10 e 100 mil espécies entram em extinção – não há como reverter a perda deste patrimônio genético”, complementou Sérgio.

Feijões (Foto: Pexel/Pixabay)

Já uma alimentação à base de vegetais pode oferecer tudo de que necessitamos, como proteínas, minerais e vitaminas. De acordo com a nutricionista e chef do Vegan Vegan, Thina Izidoro, a alimentação vegetariana, “além de ser fundamental para a manutenção dos recursos do meio armbiente, dá a chance de alimentar um número muito maior de pessoas.”

Com a palavra, a autora do livro “Cozinha da Thina – a chef que levou o vegetarianismo puro à gastronomia” (Ed. Senac): “A alimentação vegetariana é mais viável em todos os aspectos. A área necessária para se plantar cereais e leguminosas é bem menor que aquela para criação de gado. Em outras palavras, alimenta-se um contingente muito maior de pessoas usando menos água e terra. Se falarmos especificamente sobre a manutenção da nossa saúde, a alimentação vegetariana atende todas as necessidades nutricionais do corpo, seja para o desenvolvimento físico e intelectual, seja para a prevenção de doenças. Os alimentos de origem vegetal não deixam nada a desejar, contêm todos os nutrientes que o nosso corpo precisa. Basta selecionar e equilibrar de forma correta as leguminosas, cereais, frutas e feijões. Temos uma enorme variedade de alimentos que a natureza nos oferece. É só olharmos o que a natureza nos dá em cada estação. As campanhas de erradicação da fome deviam priorizar essa informação”.

Nutricionista e chef vegana, Thina Izidoro

Se a meta das Nações Unidas é erradicar a fome global até 2030, alguns conceitos talvez precisem ser atualizados. A adoção de uma dieta mais vegetariana pode ser a garantia de que, em uma década, nenhum terráqueo passe mais nenhum dia sem ver atendidas suas necessidades básicas de alimentação.

Foto: PublicDomainPictures/Pixabay

Números mais recentes da FAO:
• Número de pessoas com fome no mundo em 2018: 821,6 milhões (1 em cada 9)
• Ásia: 513,9 milhões
• África: 256,1 milhões
• América Latina e Caribe: 42,5 milhões

• Número de pessoas com insegurança alimentar moderada ou grave: 2 bilhões (26,4%)

• Bebês com baixo peso ao nascer: 20,5 milhões (1 em cada 7)

• Crianças menores de 5 anos afetadas por atraso no crescimento (baixa estatura para a idade): 148,9 milhões (21,9%)

• Crianças menores de 5 anos afetadas por baixo peso para a estatura: 49,5 milhões (7,3%)

• Crianças menores de 5 anos com sobrepeso (peso elevado para a estatura): 40 milhões (5,9%)

• Crianças e adolescentes em idade escolar com sobrepeso: 338 milhões

• Adultos obesos: 672 milhões (13%, ou 1 em cada 8)

ESCRITO POR

Vegan Vegan

Criado em 2004, o Vegan Vegan é mais que um restaurante 100% vegetariano. É também um espaço para debater a alimentação vegana, seus princípios e benefícios para a saúde.